quinta-feira, 16 de outubro de 2008

A DEZGRASA SERTANEJA


O PERISQÓPIO
(Jornal Perituro – Esqrito em lójiqa)
Diresão jeral: Ignatius Saraquto
Junho/2003

A DEZGRASA SERTANEJA

O serão sempre foi uma terra inóspita, e qem aqi naseu e viveu sab das grands difiquldads q enfrentou e q terá d enfrentar.
Qontudo, a lasqeira não é a seqa, não é a fome, não são as doensas, nada diso, pois o sertanejo é por natureza um ser muinto fort, prova disto é q nunqa abandona o torrão ond naseu, pod até dar algumas saidelas do seu torrão natal mas sertament logo estará d volta à terra q o viu naser.
A lasqeira do sertanejo dezertíqola é qoiza nova, surjiu a bem pouqo tempo, serqa dtrês déqadas qom a xegada ao nordest d elementos frustrados lá nos infernos ond naseram, prinsipalment Rio Grand do Sul, Espanha e Itália, q aqi foram se xegando e qomesaram a desfrutar da ospitalidad e da simplisidad do povo sertanejo logo após a eletrifiqasão da marjem esqerda do Rio São Fransisqo no governo do interventor Nilo Qoelho.
Qom a água e a eletrisidad farta e a qusto zero, foram se enraizando e implementando os seus reais objetivos: a espulsão e ou esqravizasão dos frájeis dezertíqolas.
Qomo os sertanejos não os botaram para qorrer do oázis linear Formado pelas marjens do Velho Xiqo, os pilantras qomesaram a xamar o resto da patota e a qoiza qomesou a se qompliqar para o lado do povo do dezerto; um povo tão fort e tão seguro d si, em serqa d uma déqada, estavam totalment destrosados e sua sosiedad totalment destruída.
Saqanas e preqonseituozos qomesaram a xegar d tudo q foi lugar e, apoiados pelos banqos e pelos polítiqos salafrários espulsaram levas e levas d dezertíqolas d suas terras natais sendo q boa part no intuito d salvarem as próprias vidas foram para os grands sentros e aumentaram vertijinozament a populasão d mizeráveis das periferias dos grands sentros do Sudest do noso país; enquanto outras levas preferiram se submeter à esqravidão no próprio torrão q os viu naser.
Boa part dos dezertíqolas perderam suas terras através d ardis e promesas dos famijerados forasteiros q sem nenhum esqrúpulo e sem um pingo d vergonha tornaramse os donos e senhores absolutos d tudo, qomo é o qazo d um diretor d agrotéqniqa, q surrupiou as terras d um pobre qamponês indefezo, bem nas barbas do Xefão todo poderozo do lugar.
Asim, aqonteseu qom milhares d outras pobres famílias do dezerto e hoje, espalhados por todo o Brazil, qomem os pães q o diabo amasou na panifiqadora do inferno.
Enqontrar oje um dezertíqola d verdad vivendo em sua terra natal é tarefa das mais difíseis; muintos ainda ezistem, mas estão vivendo em qompleto izolamento em loqais ond a maldad, a ganânsia a safadeza e o interesse dos forasteiros ainda não foram despertados.
Nos tempos atuais, só um restrito grupo rezist, às duras penas, à presão dese grupo d qanalhas; são os mizeráveis profesores dezertíqolas q lutam d todas as maneiras para despertar o senso qrítiqo das qriansas e jóvens do dezerto objetivando esqlareser a todos os alunos os meios pelos quais ests poderão através d seu qonhesimento serem mais rezistents às presões e oquparem qada vez mais as esqasas posisões no merqado d trabalho qualifiqado, podendo asim ofereserem maior rezistênsia e qem sab qontinuar povoando o noso qerido dezerto, mezmo q não seja nas melhores terras d nosos oásis.
Est restrito grupos d profesores dezertíqolas, juntament qom outros eduqadores d boa vontad vindos d outras rejiões lutam inqansavelment, mezmo não sendo muito organizados, ajem em diversas frents: uns tentam orientar os irmãos dezertíqolas sobre os seus direitos; outros ensinam algumas profisões; outros falam d nosa Istória e d nosso povo; e assim qada um dar a sua qontribuisão e no final sertament teremos aumentado o número d dezertíqolas detentores d bons qonhesimentos e qapazes d lutarem pelo q ainda resta do noso qerido dezerto.

Ignatius Saraquto Lasqaniuns

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